Juros para operações de crédito saltam pelo 23o mês
As taxas de juros para operações de crédito para pessoas físicas subiram em agosto pelo 23º mês consecutivo
São Paulo. Os juros das operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas subiram, no mês passado, aos maiores patamares desde o início da década de 2000. Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), as taxas avançaram em agosto pelo 23º mês consecutivo.
No caso das pessoas físicas, houve aumento nos juros em cinco das seis linhas pesquisadas (juros do comércio; cartão de crédito rotativo; cheque especial; empréstimo pessoal-bancos; e empréstimo pessoal-financeiras). No caso do CDC-financiamento de veículos, houve estabilidade. O juro médio subiu 0,04 ponto percentual (pp) em agosto, na comparação com julho deste ano, para 8,13% ao mês (155,48% ao ano), o maior nível desde agosto de 2003.
No cartão de crédito, a taxa subiu 0,07 ponto percentual, para 15,29% ao mês (451,44% ao ano) em agosto, o maior nível desde outubro de 1995. Em relação aos juros do comércio (crediário), houve alta em todos os 12 tipos de lojas pesquisadas, com a média geral subindo 0,02 pp, para 5,86% ao mês (98,05% ao ano). No geral, a taxa mais alta foi registrada em Minas Gerais, com 5,97% ao mês (100,54% ao ano).
Entre as pessoas jurídicas, houve alta nas três linhas pesquisadas (capital de giro; desconto de duplicatas, e conta garantida). O juro médio avançou 0,03 pp no mês passado ante o anterior, para 4,75% ao mês (74,52% ao ano), o patamar mais alto desde agosto de 2003.
No caso da conta garantida, a taxa subiu 0,06 pp, para 8,29% ao mês (160,05% ao ano), o patamar mais elevado desde o início da série histórica, em 1995.
Causas
Segundo a Anefac, as altas podem ser atribuídas a alguns fatores como o cenário macroeconômico que aumenta o risco de elevação da inadimplência. “Este cenário se baseia no fato dos índices de inflação mais elevados, aumento de impostos e juros maiores reduzirem a renda das famílias. Agregado a isto a recessão econômica, que deve promover o crescimento dos índices de desemprego”, diz o diretor executivo de estudos da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira.
Alta continuará
Para o diretor executivo de estudos da Anefac, é possível que os juros continuem subindo nos próximos meses. “Mas sempre existe a expectativa de que o Banco Central possa vir a reduzir a taxa básica de juros (Selic) nos próximos meses e este fato pode igualmente contribuir para a redução das taxas de juros das operações de crédito”, pondera.
Selic
A Anefac lembra que, considerando todas as elevações da Selic promovidas pelo Banco Central desde março de 2013, houve aumento de 7,00 pontos percentuais (ou alta de 96,55%) na taxa básica de juros para o nível atual de 14,25%.
No mesmo período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou elevação de 67,51 pontos percentuais (+76,74%). Já na pessoa jurídica, houve elevação de 30,94 pontos percentuais (+71,00%).
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